Governo Bolsonaro aumenta a distância do lulopetismo

Bolsonaro está como presidente do Brasil há dois anos. É um capitão que comanda o país rumo ao abismo. E quem consegue perceber a vida sem paixão político-ideológica, sabe que a escolha, definitivamente, não era difícil. Nunca foi. Talvez, faltou discernimento democrático para alguns, como ao Estadão e à Isto É, que fizeram junto a intelectuais e influenciadores digitais uma campanha de que PT e PSL eram iguais, ou de puro antipetismo.

Jair Bolsonaro, sem dúvida alguma, está muito distante de Fernando Haddad e mesmo de Lula, que sequer era candidato no pleito de 2018, retirado da disputa por causa dos descalabros do futuro (ex-)ministro Sérgio Moro, no escândalo conhecido como Vaza Jato. O jornal de São Paulo, no entanto, não aprendeu com 18 meses do governo atual e reiterou a comparação, chamando os dois líderes de “siameses“. É muito interesse escuso da empresa para afirmar algo deste tipo, pois ignorância e inocência passam longe.

Os brasileiros tinham duas opções para o maior cargo político do país em 2018. Messias é um capitão do exército reformado que defende a ditadura militar, homenageia torturadores, relaciona-se com milicianos, propaga teoria da conspiração, fake news, discurso de ódio contra minorias, como mulheres, negros e LGBTs, e opositores políticos – prometendo até fuzilar outros brasileiros. Antes e hoje, apresentou-se como antidemocrático, suspeito de corrupção e com filhos envolvidos em diversos casos criminosos e escabrosos.

Desde antes da eleição até atualmente, essas atrocidades são mais do que cristalinas. Esses infortúnios, aliados à sua atuação política pífia e orgânica no centrão durante quase três décadas, não foram suficientes para convencer muitos brasileiros para rejeitá-lo. Ao contrário, essas idéias encapsuladas em agressividade fizeram muitos aderirem ao bolsonarismo, compartilhando crenças e valores, especialmente baseados no fundamentalismo religioso cristão. A perversidade de Bolsonaro é tanta que zomba até de assassinato e tortura, de antigamente, da época da ditadura militar, e atualmente, das vítimas da COVID-19.

O opositor de Messias era um professor universitário, que foi Ministro da Educação por 7 anos, de 2005 a 2012, e prefeito de São Paulo, de 2013 a 2017, cuja maior malfeitoria era concorrer ao pleito presidencial filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), crítica mais frequente feita a Fernando Haddad. Mas, como disse o atual presidente ao saber que o Brasil estava entre os países com mais diagnosticados e mortos pela COVID-19, E daí?.

Bolsonaro já avisou que não é “coveiro” nem “Messias. Para quem não escolheu lavar as mãos em uma “bacia de sangue” ao apertar 17 em 2018, os asseclas do presidente bradavam que era melhor aceitar que “dói mesmo”. Parafraseando outro grito de guerra, infelizmente, hoje somos nós quem dizemos: já passou da hora de “já ir” se arrependendo.

 

Allysson Martins é professor de Jornalismo e coordenador do MíDI na Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

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MíDI - Grupo de Pesquisa em Mídias Digitais e Internet